Esculca - Observatório para a Defensa dos Direitos e Liberdades
Início   Quen somos?   Opinión   Boletin   Documentos   Lexislación internacional   Mediateca   Entrevistas   Galeria   Contacto


DESPOIS DE 40 DIAS EN FOLGA DE FAME

Mohamed Haddad expulso a Marrocos

03 de Febreiro de 2010

"Ao fim de 40 dias em greve de fome pelo asilo em Espanha, o homem que foi erradamente apontado como autor dos atentados de Madrid foi expulso para Marrocos.

O calvário de Mohamed Haddad começou ao fim de 14 anos de vida e trabalho em Espanha, quando após perder um filho recém-nascido resolve viajar à cidade natal em Marrocos. Em Março de 2004 é sequestrado pela DST (a polícia secreta marroquina) e abandonado 45 dias depois numa estação de autocarros em Rabat e com menos 20 quilos de peso.

Ante as denúncias da família e de ONG's sobre o seu desaparecimento, o governo inicialmente negou tê-lo sequestrado, mas depois veio a saber-se que Haddad tinha sido preso por engano, sob suspeita de envolvimento nos atentados de 11 de Março em vários comboios com destino a Madrid. Apesar de nada ter sido provado, a polícia marroquina ficou com o seu passaporte, o que o impedia de regressar a Espanha.

Haddad comunicou ao juíz del Olmo a vontade de esclarecer tudo o que fosse necessário para provar a sua inocência e foi interrogado pelo juíz e pela procuradora Olga Sánchez em Rabat logo após a sua libertação, sem que lhe fosse imputada qualquer responsabilidade.  Apesar disso, foi repetidamente acusado e caluniado por dirigentes do PP espanhol e no diário El Mundo. A polícia marroquina apenas lhe devolve o passaporte em 2006, uma semana depois de ter expirado a sua autorização de residência em Espanha. Ao tentar renovar a autorização, é-lhe negado o pedido pelo consulado espanhol. Mesmo um simples visto para poder entrar em Espanha – e ali tentar resolver a situação e poder encontrar-se com a mulher e as filhas – lhe é recusado.

Já em 2009, ao fim de quatro anos sem poder regressar a Espanha para junto da sua família e tentar reabilitar o seu bom nome junto da justiça, Mohamed Haddad candidata-se às eleições pelo Partido dos Trabalhadores, aproveitando os seus contactos junto de activistas pelos direitos humanos e da oposição ao regime. Mas até esse direito foi cortado pela polícia secreta, que volta a aparecer na vida de Haddad para lhe comunicar a sua inelegibidade... por ter sido suspeito nos atentados do 11M. Posto isto, Haddad dirige-se a Sebta e pede asilo político a Espanha.

A decisão espanhola surgiu em Dezembro, negando o asilo político e lançando a suspeita de que a candidatura às eleições e o pedido de asilo foram um esquema para contornar a lei de imigração. Como último recurso na sua luta, Haddad entrou em greve de fome a 22 de Dezembro de 2009.

Na passada sexta-feira, o governo espanhol decidiu expulsá-lo para Marrocos, apesar de estar bem documentada pela Comissão Espanhola de Ajuda ao Refugiado toda a perseguição que lhe foi movida nos últimos seis anos pelo regime. Haddad foi agora transferido de Algeciras para um hospital de Tetouan", informa esquerda.net.



Categoría: Xeral