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ESCRITO DE EMIGRANTES NA HOLANDA

Solidariedade con os procesados polo "Motin de Caxias"

25 de Abril de 2009


O 5 de Marzo iniciou-se no Tribunal Xudicial da Comarca de Oeiras (Portugal) o xulgamento de 25 cidadáns acusados de "organizaren un motin" na cadea de Caxias en 23 de Marzo de 1996.
Hai portanto 13 anos, no período en que se viveron intensas axitacións nas prisións protuguesas, fruto de un movimento de protesto contra as miseráveis condicións penitenciárias, o tratamento desumano e humilhante por parte do corpo de guardas prisionais e a corrupción da instituición prisional en xeral.
Aos numerosos colectivos e persoas que denuncian a inxustiza deste xulgamento e se solidarizan con os arguidos xuntou-se o pasado 22 de Abril un grupo de emigrantes na Holanda que entregou un escrito de protesto no Consulado de Roterdam, segundo informa a ACED.

Eis o texto do comunicado:


"Hoje dia 22 de Abril de 2009, decorre no Tribunal de Oeiras da 3ª sessão
do julgamento do chamado caso dos "25 de Caxias".
Hoje, 13 anos depois dos acontecimentos, o estado português por via do seu
sistema judicial, propõe-se a inverter a história, esquecendo o julgamento
a que foi submetido durante o período de 1994 a 1996, e pretende culpar
agora 25 bodes expiatórios da situação criada pela sociedade em geral, e o
estado em particular.
Durante esse período viveram-se intensas agitações nas prisões
portuguesas, fruto de um legítimo e abrangente movimento de protesto
contra as miseráveis e indignas condições penitenciárias, o tratamento
desumano e humilhante por parte do corpo de guardas prisionais, e a
corrupção da instituição prisional em geral.
À época, tudo isto era atestado pelas inúmeras denúncias, greves de fome e
outros protestos dentro das prisões, amplificado pela repercussão
mediática que visibilizava diariamente para o exterior a situação
decadente e insustentável dos cárceres, e pelo pulsar social de uma
crítica que cada vez mais abertamente questionava a existência do sistema
prisional, alguns no seu estado então, alguns de todo.
Então era impossível e impensável submeter a julgamento 25 pessoas por um
motim que já se via chegar e em que os presos "apenas" podiam perder tudo
aquilo que já não tinham; e os verdadeiros responsáveis pela situação
sempre tiveram tudo a ganhar.
Hoje aparentemente tudo é possível num Portugal com a boca cheia de 35
anos de democracia, e com a barriga cheia de misérias. Até uma prisão em
Monsanto que por razões impensáveis e intoleráveis vai ganhando a alcunha
de "Guantanamo portuguesa".
Que seja também hoje então o dia em que fique registado nos papéis da
burocracia nacional; que um grupo de velhos e novos emigrantes portugueses
na Holanda não aceitam este julgamento; por todas as razões explicadas
anteriormente e por todas aquelas que ficam por explicar.  Não aceitamos o
branqueamento da história, e desejamos acabar com o papel de observadores
silenciosos e passivos de este e outros acontecimentos na nossa terra.
Este julgamento nunca se deveria ter iniciado e, mais que o seu fim,
desejamos que essas 25 pessoas nunca mais sejam apelidadas com o nome
dessa ou qualquer outra prisão.
O grupo de pessoas  que se concentraram no
Consulado Português de Roterdão a 22 de Abril de 2009,
e todas as que ficaram a trabalhar.



Categoría: Xeral