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MOHAMED SAFA, NACIONALISTA PALESTINIANO QUE TRABALHA EM CEE

“Com as ajudas económicas da comunidade internacional a ocupaçom sai grátis a Israel”

Novas da Galiza, Abril de 2010

“Com as ajudas económicas da comunidade internacional a ocupaçom sai grátis a Israel”

Mohamed Safa foi representante da OLP na Galiza e defendeu a luita do seu povo na Universidade de Santiago, onde estudou. Chegou à Galiza em 1982 e agora trabalha como oftalmólogo no hospital de Cee. Continua comprometido com o movimento nacional palestiniano e agradece as mostras de solidariedade que tem recebido da sociedade galega.

>Salam Fayad, primeiro ministro da Autoridade Nacional Palestiniana (ANP) declarou recentemente que está disposto a proclamar o seu Estado em 2011. É viável? Poderíamos falar de Estado partindo das condiçons da Palestina?
A declaraçom formula-se de umha óptica errónea, pois a falta do Estado nom se deve à ausência de instituiçons. É umha forma de ocultar o verdadeiro problema, que está na própria ocupaçom. A sua viabilidade vai depender da pressom internacional para cumprir a legislaçom internacional. E esta nom seria a primeira declaraçom. Em 1988, no congresso da Argélia, Arafat proclamava o Estado do 15 de Novembro. Mas o estado nom deve ser umha obsessom, a obsessom tem que ser finalizar com a ocupaçom. Nom queremos maquilhar a ocupaçom, queremos pôr-lhe fim.

A que se deve o ascenso de umha organizaçom islamista como Hamas na faixa de Gaza?
Os EUA e Israel exigiam eleiçons para eliminar Yaser Arafat e esperavam a sua substituiçom com umha liderança acorde aos seus interesses, chantageando a populaçom palestiniana com que se votavam algo do que eles nom gostassem haviam de padecer as conseqüências que hoje conhecemos: o embargo da faixa de Gaza. É a primeira vez que se fai um embargo sobre umha território ocupado e depois de umhas eleiçons democráticas. A sociedade deu-se conta de que dos Acordos de Oslo de 1993 até hoje o processo foi inútil e daninho, porque agora falamos de menos território palestiniano que antes e somos menos livres. Veu que era importante procurar umha alternativa, e vírom no discurso de Hamas a rejeiçom dos acordos mais que o discurso social religioso.

Em que medida afecta ao processo de libertaçom a divisom política entre Gaza e a Cirsjordánia? Existem possibilidades de acordos entre as partes para um desenvolvimento comum?
A situaçom é nefasta e a responsabilidade afecta as duas partes. Os que perdêrom nom quigérom renunciar ao poder que tinham, e os outros nom figérom um projecto unitário. Preocupa-me a divisom do projecto nacional palestiniano. A sociedade civil com as suas organizaçons que trabalha de forma intensa para recuperar o projecto comum, unitário, que dê cabimento a todas as organizaçons, para termos a pluralidade que corresponde a todas as facçons que existem, com um projecto que pretende comummente acabar com a ocupaçom, diplomaticamente e evidentemente sem renunciar à resistência, que é umha arma sagrada para todos.

rong>Deve defender-se o estabelecimento de dous Estados no vosso território ou bem um único e multicultural?
Desde a sua criaçom, a OLP propujo a possibilidade de criar um Estado palestiniano laico em que pudessem conviver todas as comunidades. A seguir, a primeira intifada de 1987 determinou que o projecto nacional palestiniano constuísse um Estado nos territórios ocupados em 1967, perante a negativa e o fracasso do Estado de Israel desde que começou o processo de paz. Com a situaçom estagnada que se percebe, outras vozes proponhem a possibilidade de um único Estado. Mas Israel nom vai aceitá-lo porque o problema está em que nem quijo anexar os territórios ocupados nem se separou deles. Temem a questom demográfica e umha anexom implica visibilizar o apartheid com toda a sua dureza nos territórios palestinianos. O projecto palestiniano deve partir do final da ocupaçom, de que Israel cumpra a legalidade internacional sobre o direito ao retorno dos refugiados (em torno a 52% da populaçom) e de umha reconciliaçom que passe polo reconhecimento do dano causado à populaçom palestiniana nos últimos 60 anos. A partir daí poderia-se criar umha convivência pacífica. Mas sem deixar os palestinianos serem livres no nosso território qualquer soluçom nom deixará de ser teórica.

Que releváncia dás à actuaçom da comunidade internacional?
A ONU dita resoluçons mas nom tem capacidade para aplicar nengumha delas. Como avançar perante a negaçom do nosso direito à existência, mordendo e roubando território todos os dias. Interessa-lhes manter o que hai, a ocupaçom, o colonialismo. Sobre as ajudas à ANP, devo destacar que 60% do orçamento palestiniano provém da UE. Mas esta é umha ajuda para pagar a Israel a ocupaçom, que lhe sai grátis. Porque a responsabilidade pola vida e necessidades da populaçom é responsabilidade da potência ocupante. Aprendemos da história que as ocupaçons acabam com umha resistência forte do povo, que passado o tempo fai com que sejam custosas de manter para a potência ocupante. Com a situaçom actual maquilha-se, mas nom pomos fim à ocupaçom.

Como valorizas o acolhimento que recebeste da sociedade galega e a sua solidariedade para com a vossa luita?
Considero a Galiza a minha segunda pátria. O povo galego compreende-nos, nom só como povo oprimido senom como emigrante. Nom podo mais que agradecer o apoio e respaldo que recebim. O meu labor é tentar aprender, integrar-me, e o melhor matrimónio da minha vida foi o cultural, o da mestiçagem. O povo galego está a fazer muito, Galiza por Palestina realiza um labor extraordinário para informar a sociedade galega. Mas penso que o melhor apoio é o de fazer visitas ao território ocupado para conhecer a cara dura da ocupaçom, o apartheid e a discriminaçom brutal que sofremos. O muro que fragmenta o nosso território, os controlos que impedem os movimento dos cidadaos… a situaçom real. Todos os dias vivem-se humilhaçons por parte de umha potência ocupante que nom acaba de compreender que estamos no século dos povos, e que o destino dos povos é a sua liberdade.

 

Categoría: Entrevistas






Última actualización da web:
08 Febreiro 2012